
O PSDB protocolou nesta quinta-feira no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) pedido de cassação do registro de candidatura e da diplomação
da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) por abuso de poder político e
econômico. Na ação, os tucanos elencam fatos que consideraram ilegais ao longo
da campanha presidencial, como o uso de prédios públicos para atividades
eleitorais e a manipulação de indicadores sócio-econômicos, e solicitam que a
Corte diplome os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes Ferreira
(PSDB-SP), respectivamente candidatos a presidente e vice-presidente, que
terminaram a corrida eleitoral na segunda colocação.
De acordo com o PSDB,
“a eleição presidencial de 2014, das mais acirradas de todos os tempos,
revelou-se manchada de forma indelével pelo abuso de poder, tanto político
quanto econômico” praticado em proveito de Dilma e do vice-presidente reeleito
Michel Temer. Para o partido, as irregularidades praticadas pela campanha à
reeleição da petista teriam sido, na verdade, “uma ação coordenada visando a
garantir o êxito do projeto reeleitoral dos investigados”. Na ação de
investigação judicial eleitoral, o PSDB relembra que a própria presidente,
ainda na fase de pré-campanha, afirmou, em um ato público na cidade de João
Pessoa (PB), ser possível “fazer o diabo quando é a hora da eleição”.
Entre as irregularidades que, segundo
os tucanos, seriam capazes de levar à cassação do registro de Dilma estão o uso
da máquina administrativa federal para fins eleitorais, a convocação de
pronunciamentos oficiais em cadeia nacional “para exclusiva promoção pessoal da
futura candidata”, a veiculação de propaganda institucional em período proibido
pela Justiça Eleitoral, o atraso deliberado da divulgação de dados sociais
desfavoráveis ao governo federal e o uso do Palácio do Planalto para atividades
de campanha.
Na ação de investigação, o PSDB
também ressalta que as doações de campanha ultrapassaram o limite inicial de
298 milhões de reais – ao final o novo teto de gastos chegou a 338 milhões de
reais – e diz que parte dos recursos foram arrecadados junto a empreiteiras
investigadas na operação Lava Jato. No processo, o partido ainda pede que
sejam arroladas como testemunhas para embasar esse ponto o ex-diretor de
Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, os
dois principais delatores do petrolão.
A estratégia tucana de vincular o
mais recente escândalo de corrupção ao governo Dilma permeou toda a
campanha eleitoral do senador Aécio Neves e volta a ser uma tentativa de
manter em evidência o desgaste do novo governo petista, já que o procurador-geral
da República, Rodrigo Janot, pretende deixar para o início do ano a
apresentação de denúncias contra políticos envolvidos no megaesquema de lavagem
de dinheiro que envolve a Petrobras.
“Promovendo uma campanha milionária,
cujo custo superou a soma das despesas de todos os demais candidatos, os
investigados também abusaram do poder econômico — gastando acima do limite
inicialmente informado e recebendo doações oficiais de empreiteiras contratadas
pela Petrobrás como parte da distribuição de propinas — ou se beneficiaram do
abuso praticado por terceiros, como a massiva campanha eleitoral desenvolvida
por diversas entidades sindicais e a distribuição de cestas básicas em eventos
de campanha”, afirma o PSDB na ação enviada ao TSE.
Fonte: http://veja.abril.com.br/
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